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Modos e Modas é o blog da Jornalista Deise Sabbag. Inspirado nas tendências com possibilidade de alcançar as ruas e focado nas tendências adequadas ao biotipo brasileiro. Deise é autora de três livros: “A Moda dos Anos 80”, “Na Moda de Corpo e Alma”, e “Beleza e Qualidade de Vida de A a Z”, glossário reunindo os principais verbetes do setor.
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Da Moda para a Microcolagem: o Grande Salto de G Comini.

Written By Deise Sabbag on quarta-feira, 27 de novembro de 2019 | novembro 27, 2019






Geraldo Dayrell Comini é o  nome solene do artista plástico conhecido como G Comini e chamado pelos amigos afetuosamente de Ge.  Criador e criatura ao mesmo tempo, ele não foge dos desafios difíceis e – segundo se pode constatar  – tem uma paciência de Jó. Prova disso é que  essa alma talentosa dedica boa parte de seus dias criando microcolagens, no ateliê instalado no spa do Hotel Renaissance (São Paulo). Lá, ele executa seu ofício artesanal, ao mesmo tempo em que aprecia  o burburinho,  a curiosidade e os elogios dos hóspedes.





Qual um cirurgião experiente, ele desenvolveu tato para movimentar bisturi, pinças cirurgicas, tesouras  usadas em operação ocular e lupas de relojoeiro.  Com esses instrumentos, executa microrecortes minuciosos  que, depois, serenamente,  cola um a um, de modo que o resultado seja sempre uma obra  admiravelmente perfeita, sem vãos,  irregularidades ou  falhas.




Comini desenvolveu  uma técnica própria, que utiliza  recortes milimétricos de imagens de papéis de presente, revistas  ou descartadas, sem jamais  recorrer à computação gráfica, e com ilustrações feitas à mão. As  matrizes  de pequena dimensão (34 x 25 cm) são fotografadas  em alta resolução.  Mantendo as cores originais, elas são ampliadas, através da técnica de impressão de belas-artes,  em papel 100 % algodão, em dois tamanhos (137 x 109 cm - 100 x 79 cm) e  em série limitada de apenas oito tiragens. Dessa forma, o artista plástico consegue destacar  a exatidão dos recortes à mão e os efeitos de tridimensionalidade, traduzidos como intensidade e vibração. Efeitos especiais são  obtidos com lápis ou canetas aquarela.


G Comini com Jum Nakao


Seus trabalhos – caracterizados por intrincado jogo de imagens e cores e  que
conseguem aliar o barroco e o moderno - já fazem parte do decor de residências de alguns famosos, como o jogador Raí.

“Essa é a forma de expressão que me realiza. Minhas criações  têm referência em minha origem plural:  uma mescla de ancestrais italianos, ingleses, portugueses e brasileiros.  As  obras que assino são coloridas, intensas, disruptivas, mas sobretudo humanas e  emocionais. Além do ato de colar algo a alguma coisa, penso na sobreposição de perspectivas e de sentidos e  no belo como representação de  um conceito determinado.  Na verdade, vejo  nossas vidas como colagens de  experiências acumuladas”, expõe.


G Comini


Comini nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Ele  lembra que praticamente veio ao mundo  com lápis e pincéis na mão. “Acho que comecei a desenhar antes de mesmo falar ou andar. Consequentemente,  a imagem passou a ser o meu primeiro e principal meio de expressão.  Iniciei  minha carreira  profissional aos doze anos, já como designer gráfico. Escolhi manter  um estúdio  pequeno, que – ao contrário das agências de publicidade - me proporcionava  mais liberdade de criação e de experimentação. Optei por me especializar na área de moda, onde  o  novo e o diferente era mais acolhido e valorizado. Tenho orgulho de ter sido um dos pioneiros e  raros designers especializados no segmento fashion”, recorda.





Formado em Desenho Industrial e Gráfico pela Fundação Universidade Mineira de Arte, atuou,  durante muitos anos, como  programador visual. Membro da International Society of Assemblage and Collage Artists, foi o primeiro designer gráfico do país voltado exclusivamente para moda. Em tempos distantes da computação gráfica, ainda  anos 1970, dedicou-se à criação de logotipos, tags, embalagens, estamparias.


  






Priorizando o  estilo humanista e – importante -  sem nunca recorrer às técnicas digitais, desenvolveu inúmeras campanhas publicitárias com desenhos e colagens manuais. Criou imagens inesquecíveis  para Renato Kherlakian, da Zoomp (é autor da forma definitiva  do raio que marcou a moda dessa grife nos anos 80).  Também trabalhou  para outras  brands nacionais importantes como Forum, Varal, Divina Decadência, Ellus, Iódice, Grupo Mineiro de Moda, Maria Bonita, Equilíbrio, Glória Coelho e Huis Clos,  da saudosa estilista Clô Orosco.


No auge do sucesso de sua carreira como designer de moda, no final dos anos 90,  sentindo-se estressado  e desiludido  com a estética vigente,   resolveu  tirar  um período  sabático e experimentar   outros caminhos de expressão. Retirou-se  do cenário gráfico da moda.  Testou várias atividades. Até o dia em que, quase por acaso, descobriu as colagens.  Fascinado por desafios e munido de extrema disciplina, elegeu  esse ofício para acalentar  sua alma artística.



Durante  16 anos, trabalhou com afinco  criando inúmeras colagens que não pretendia expor.  Mas hoje  o artista plástico já se considera  pronto para mostrar pessoalmente, a quem possa interessar,  o capricho de sua arte, que pode ser apreciada em sua home gallery,  localizada no Conjunto Nacional, no coração da Avenida Paulista. Ele também apresenta as obras do acervo "In between" nos destaques do Instagram – gcominicolagens.

As obras de Comini têm como   base elementos da mídia impressa 'reciclada',  trabalhadas em  conteúdo e forma.   O resultado mostra a beleza dos efeitos tridimensionais e dos cortes de cada pedacinho. Numa época em que se fala tanto de sustentabilidade, esse artista (ou artesão como gosta de se autodefinir)  revela o collage feito com reaproveitamento  da matéria-prima. “Crio em cima do que já foi criado. Para obter o look  final, eu me aproprio de centenas de imagens concebidas por  artistas anônimos.  Assim, mesmo involuntariamente, estabeleço com eles uma parceria, uma mecânica de criação conjunta", detalha o artista.


GComini com a jornalista Andrea Dantas
  e a meticulosa obra de arte


A  jornalista Eugênia Zerbini  considera  “feéricas”  as colagens do artista. Outra representante da imprensa, Erika Palomino,  definiu esse meticuloso trabalho como “coisa de gênio”

Sem se abalar com   elogios e críticas, ele segue empregando  seu tempo na concepção de  minirecortes e colagens. Recentemente, porém,  saiu de sua zona de conforto para encarar novos desafios. Como artista convidado da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, na premiação de empresas que trabalham com projetos de sustentabilidade, ele criou  uma galeria digital usando a fachada do prédio da FIESP como uma tela gigantesca,  na  movimentada Avenida Paulista.  Utilizou  240.000 lâmpadas LED para  dar movimento a alguns dos seus trabalhos de colagem.  O resultado ?  Moderníssimo e fantástico. De tirar o fôlego!

Mais informações:


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Sobre Deise Sabbag

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero. Responsável por matérias especiais para o caderno B e titular de uma coluna no Diário Popular. Redatora especial e redatora de moda do City News, do grupo DCI, que posteriormente adquiriu o Shopping News e o Jornal da Semana. Idealizou e editou o Todamoda, que foi o primeiro caderno totalmente dedicado à moda no Brasil. Responsável pela execução de edições diárias em feiras nacionais de moda, como Fenit, Feninver, Feira de Moda de Fortaleza. Cobertura Internacional e pesquisas de tendências dos desfiles de alta-costura e prêt-à-porter em Paris, Roma, Milão e Londres. Docente do primeiro curso para formação de produtores de moda, ministrado pelo Senac. Foi membro do Conselho de Moda da Faap. Autora de três livros: “A Moda dos Anos 80”, “Na Moda de Corpo e Alma” e “Beleza e Qualidade de Vida de A a Z”.

20 comentários :

  1. Parabéns pelos trabalhos! São maravilhosos!

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  2. Conheço o G e sou fã do seu trabalho. Parabéns!

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  3. Ótima matéria parabéns !! Desejo muito sucesso!!

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  4. G Comini, homem de bom gosto, inteligente e muito criativo!!! Suas obras são como sua alma, emanam brilho e muita beleza... Te desejo muito sucesso, você merece! É muito querido e muito especial! ��

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  5. Tive o privilégio de conhecer esse grande artista e suas obras, cheias de estilo, bom gosto e lindas mensagens próprias de uma alma sensível e evoluída. Parabéns!!!

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  6. Sempre admirei o incrível trabalho de G. Comini, minucioso, bom gosto inigualável. Tive o previlégio de fazer parte do Depto. de criação da marca Zoomp, onde conheci o trabalho do G. Comini. Renato Kherlakian me falava sempre sobre o trabalho que o G. desenvolvia para estampas e vitrines nos anos 80. Para mim G.Comini é referência para meu trabalho até hoje, original, sofisticado e um dos maiores artistas que conheci, e melhor ainda pessoalmente em uma de suas expos.

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    1. Dificil agradecer tanta generosidade...mas um obrigado diz tudo!....

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  7. Eu sou um dos privilegiados de conhecer o trabalho desse artista. De fato, a proposta do G Comini é disruptiva, atual, mas ao meu ver, o mais importante é que os quadros transbordam emoção e cada uma de suas obras instiga uma viagem ao subconsciente de cada indivíduo.

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    1. Muito pertinente sua analise....obrigado de coraçao!

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  8. trabalho espetacular, Ge! sucesso sempre! parabéns! Grande abraço

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  9. Quando a arte expressa a beleza da alma do artista. Tenho o privilégio de ter uma de suas obras em minha sala de jantar. Sou uma grande admiradora de G Comini.

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    1. Que ela te inspire e te dê altas vibraçoes em casa!...e te proteja tambem!...

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