O Blog de Todos os Modos das Modas

Modos e Modas é o blog da Jornalista Deise Sabbag. Inspirado nas tendências com possibilidade de alcançar as ruas e focado nas tendências adequadas ao biotipo brasileiro. Deise é autora de três livros: “A Moda dos Anos 80”, “Na Moda de Corpo e Alma”, e “Beleza e Qualidade de Vida de A a Z”, glossário reunindo os principais verbetes do setor.
Home » » Acorde, mercado. Não dá para ignorar a força de consumo dos Idosos.

Acorde, mercado. Não dá para ignorar a força de consumo dos Idosos.

Written By Deise Sabbag on quinta-feira, 9 de agosto de 2018 | agosto 09, 2018



Há alguns anos venho alertando sobre um assunto extremamente importante, que é a possibilidade de o ser humano viver em média mais tempo, ou seja, ter uma vida mais longa. E,  o que é melhor, com mais qualidade e em atividade. Assim, vamos  ouvir muito falar de longevidade e longeratividade,  que é a geração que passa a viver mais e em atividade.

Apesar de a estética ser um dos segmentos que mais cresce no mercado, é a menos focada nesse nicho de mercado. Faltam produtos e serviços específicos. Principalmente porque os poucos que pensaram nisso continuam enxergando os “seniors” de 60, 70 e 80 anos de hoje como aqueles senhores idosos de 50 anos da década de 50.
Esta geração é diferente, e acima de tudo tem poder aquisitivo e sabe  bem o que quer. Não compra qualquer coisa à toa, entende  o valor do tempo, e não vai “gastá-lo” em bobagens: quer qualidade. Este grupo  longevo  está  mudando os hábitos e costumes de consumo.
Hoje, o  Brasil soma 54 milhões de idosos, população  comparável  à  da Espanha. Sendo que metade, ou seja, 27 milhões possui renda superior à da média dos brasileiros.  E o panorama futuro revela que em 2050 serão 98 milhões acima de 60 anos que,  por questões inerentes à idade, não pretendem guardar dinheiro para o amanhã.
foto: El Comercio
Revisem a  Comunicação !
É importante revisar a forma de encarar o envelhecimento, uma vez que os  longevos  serão ativos e maioria.  Produtos e serviços do mercado de beleza (beauty), moda, cosméticos, design – terão que ser redesenhados, com conceitos adequados a este novo público, e com uma nova comunicação.
As marcas terão que compreender esta nova identidade de envelhecer. É sabido que  outras tendências   cada vez mais se aproximam de nosso cotidiano, como: Co-existência, Co-habitar, Co-trabalhar, a relação cada vez mais amigável com a tecnologia digital, e principalmente a conscientização da importância do natural.  Esta geração está mudando totalmente os mercados, a forma de consumir e de se relacionar com marcas.
Revejam Conceitos !



Aos poucos estamos  revendo este conceito de tempo e de nossas vidas. Por exemplo, não fazem mais sentido desfiles de moda e anúncios com jovens de 18 anos vestindo roupas ou lançando tendências para seniors.
As mudanças já estão ocorrendo. Lembrem que recentemente o chinês Wang Deshun desfilou aos 80 anos de idade e foi um sucesso mundial. Ele entrou pela primeira vez numa academia aos 50 anos de idade e seu corpo foi admirado aos 80.
Não adianta oferecer produtos cosméticos que prometem rejuvenescer com rostos distorcidos falsamente. Estes serão substituídos pelo envelhecimento mais saudável. Tudo o que é fake será duramente discutido e o natural e saudável valorizados.
Como a falta de foco neste público é geral, faltam campanhas publicitárias que  estimulem a sociedade a repensar os últimos anos de suas vidas. E também incentivo para que este debate esteja na pauta do dia a dia. As lojas e os pontos de venda deverão mudar. O mesmo deverá acontecer com o ambiente de morar, com novidades em produtos e serviços para este segmento.
Acordem Empresários!
alvaro guillermo - foto celina germer
Essa geração é ativa, quer receber amigos, tem histórias para contar, não tem necessidade de  sair de casa para se sentir animado. Não precisa de algo como a estratégia do gnomo que Amélie Poulain utilizou para tirar o pai de casa no ano 2000.
Como escolher produtos para esta geração? As lojas estão preparadas para receber e atender os idosos?  Os poucos mercados que têm se focado nesse público são os de  turismo, lazer e gastronomia. Mesmo com uma visão equivocada dessas pessoas, tais segmentos têm gerado ofertas, até porque estão aprendendo sobre os idosos na medida em que a demanda é atendida.
Concluindo, é importante que os empresários repensem seus negócios e incluam esse público que dentro de pouco tempo  será maioria. Caso contrário continuarão trabalhando para uma minoria. 
Texto de Alvaro Guillermo, especialista em marcas e conceitos



SHARE

Sobre Deise Sabbag

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero. Responsável por matérias especiais para o caderno B e titular de uma coluna no Diário Popular. Redatora especial e redatora de moda do City News, do grupo DCI, que posteriormente adquiriu o Shopping News e o Jornal da Semana. Idealizou e editou o Todamoda, que foi o primeiro caderno totalmente dedicado à moda no Brasil. Responsável pela execução de edições diárias em feiras nacionais de moda, como Fenit, Feninver, Feira de Moda de Fortaleza. Cobertura Internacional e pesquisas de tendências dos desfiles de alta-costura e prêt-à-porter em Paris, Roma, Milão e Londres. Docente do primeiro curso para formação de produtores de moda, ministrado pelo Senac. Foi membro do Conselho de Moda da Faap. Autora de três livros: “A Moda dos Anos 80”, “Na Moda de Corpo e Alma” e “Beleza e Qualidade de Vida de A a Z”.

0 comentários :

Postar um comentário