JEANS ESTIMULAM VOYEURS DE PLANTÃO
Quando, nos anos 90, a atriz Brooke Shields declarou, em anúncio da grife Calvin Klein, que não existia nada entre sua pele e seu jeans, ela apenas estava confirmando o que os jovens já sabiam bem antes. Esse tipo de calça de índigo, que com o uso ganha os contornos do corpo de quem a veste, tem uma conotação altamente erótica ou - se preferirem – um forte componente de sexualidade.
Na verdade, essas calças azuis valorizam duas partes físicas bastante visadas pelos voyeurs de plantão: pernas e bum-bum femininos. Daí se conclui que, entre outras virtudes, como conforto, juventude, liberdade, praticidade e descontração, pode-se encontrar mais uma: esta é a roupa que dá tesão.


Apesar de não existirem pesquisas a respeito, podemos afirmar, sem medo de errar, que a maioria dos jovens dos anos 2000 possuem ao menos quatro exemplares de jeans no armário e que, em 80% dos casos, eles são usados diariamente. Vale ressaltar que metade da juventude associa os jeans a “bunda” e cerca de 40% a pernas, o que evidencia também o seu lado erótico, mesmo quando o modelo não é demasiado justo ou apelativo e nem deixa o “cofrinho” à mostra.
DOS COWBOYS ÀS IT GIRLS
Erotismo á parte, nada empana o reinado dos jeans que, entra década, sai década, seguem como os itens de vestuário mais vendidos no mundo todo. T
anto sucesso vem colhendo, ao longo do tempo, esta tela de algodão que até um dos gênio mais criativos da moda internacional, o figurinista Yves Saint Laurent, confessou que uma de suas maiores frustrações era não ter sido ele o inventor dos jeans.
Símbolo dos cowboys da America (jeans é a pronúncia errada dada no Oeste à palavra Geneve, ou seja Gênova, de onde são originários) ontem e hoje essas calças azuis seguem como carro chefe de vendas das mais importantes grifes e constam também de coleções de clássicas maisons francesas, como é o caso de Chanel e Dior.
A esse tema dedicam-se inúmeros estudos psicológicos e sociológicos: alguns apontam os jeans como “símbolo de rebelião e protesto”, outros como “sinal de paridade sexual” e outros ainda como
“marco do afrouxamento da escravidão da moda”. No entanto, a liberdade e o despojamento dessa roupa são as características mais citadas pela maioria dos estudiosos.
Interessante lembrar que a história dessa peça de vestuário começou no corpo de mineradores que procuravam ouro e logo em seguida no dos cowboys.
Porém, a grande guinada para o seu prestígio foi a adesão de astros de Hollywood , como por exemplo, Marlon Brando, Montgomery Clift e o ídolo da juventude transviada dos anos 50, o irreverente James Dean.
Não parou por aí. Na sequência, falou alto a influência de astros de décadas mais recentes, de top models e patricinhas de renome, das modernosas it girls.... todas unanimidade na preferência pelos jeans, mas cada uma com sua forma personalizada de costumizá-los e coordená-los e, principalmente, com seu jeito particular de recheá-los com suas medidas, charme e sensualidade.
Na corrida do tempo, é incalculável o número de jovens de espírito que adotaram e adotam essa vestimenta sob pretextos como pertencer ao grupo “beat”, “hippie” , “punk”, “gótico”, “rockabilly” ou ainda a certos movimentos estudantis. Também as pessoas de mais idade e até as crianças perceberam as vantagens de versatilidade e durabilidade do tema, e optaram por incluir essas peças práticas de usar e coordenar no seu dia a dia.
AD ETERNUM
De olho fixo nesse atraente filão de mercado, as indústrias especializadas dedicam-se à pesquisas para a constante reinvenção do jeans, dando-lhes, a cada temporada, novas feições, sem, porém, deixar que percam a característica essencial de descontração. Dessa forma, essa peças assumem mil feições: desbotadas, com colorações diferentes, com mistura de elastano ou com tratamentos diferenciados de amaciamento, lisas ou com estampas, com modelagem ajustada ou boy friend, com bolsos diversificados, efeitos de cortes, recortes, desfiados, rasgos, remendos, franjas, tachas metálicas, pespontos, bordados, além de aplicações de brilho ou de pedras semi-preciosas, cristais swarovski ou ainda de tecidos nobres como a seda e a renda.
Trata-se, sem dúvida, da velha fórmula (sempre renovada) de apostar na sensualidade em qualquer temporada. Os jeans são a melhor ideia da democracia na moda: todos iguais, mas todos diferentes. Eles são quase uma base uniiforme sobre a qual cada um dá seu tom e sua cara. E ponto. E basta.
Mas, nas últimas linhas deste artigo surge, então, a pergunta inevitável: até quando vai durar esse longo reinado ?
Resposta: provavelmente até que se invente algo tão funcional, cômodo, versátil e que ainda venha apimentado com o irresistível apelo erótico.
Intimação: queime seus neurônios e tente criar algo assim!
DEISE SABBAG



